maio 31, 2004

Erradicar a fome – sonho impossível?

Em 1974, a Conferência Mundial sobre a Alimentação fixava a meta de eliminar a fome no mundo até 1984. Foi um sonho impossível como admitiram implicitamente, em 1996, os representante da FAO reunidos em Roma. Hoje, voltam ainda as previsões da redução pela metade do número de famintos até 2020.
Prevê-se que uma massa de 1 bilião e 300 milhões ainda passará fome naquele ano, sendo que as crianças subnutridas somarão 132 milhões. Um pouco abaixo dos 166 milhões de 1997, mas ainda muitas: uma a cada quatro crianças passará fome.
Os números nada animadores estão no relatório “Previsões para o ano 2020 sobre a alimentação mundial: tendência alternativas e escolhas” apresentado em Bona, Alemanha.

Cada dia, morrem por causa da fome, 24 mil pessoas.
10% das crianças, em países em desenvolvimento, morrem antes de completar cinco anos de idade.

Todavia, há uma pequena melhora, ainda mais porque o relatório analisa também outros factores que podem, mais uma vez, modificar para pior essas previsões.
Parece que América Latina vai conseguir, até 2020, eliminar a fome do continente. A China também reduzirá pela metade seu exército de crianças subnutridas com a política do filho único, mas a Índia continuará a ser um problema, pelo aumento da sua população. A tragédia, porém, continuará na África, onde se anuncia um aumento da fome: a desnutrição infantil passará dos 33 milhões, em 1997, a algo entre 39 e 49 milhões, em 2020.
Segundo o Ifpri, instituto americano que faz pesquisas sobre a economia dos países pobres ligados à FAO, a África, para reverter esses números, precisaria de muito dinheiro, entre 76 a 186 biliões de dólares, somente para melhorar suas infra-estruturas básicas (estradas, irrigação, saúde, etc). Porém a tragédia das crianças famintas poderia já ser reduzida em parte, se fosse possível aumentar os investimentos pelo menos de 10 biliões de dólares ao ano (cifra menor de quanto o mundo gasta em armamentos).
Na África, existem outros desafios endémicos, como os conflitos armados e as maiores taxas de pobreza, dificultando até o começo de uma retoma a curto prazo de um crescimento económico sustentável.
“As previsões mais recentes deixam entender que o objectivo fixado em 1996 não será conseguido antes de 2030”: lê-se no site da FAO. Dez anos de atraso em relação às previsões do relatório acima.

Mas esses números não são nada em comparação com os biliões gastos anualmente em guerras e armamentos ao redor do mundo. O Stockholm International Peace Research Institute, informa que o poderio militar no mundo gasta em média entre 900 biliões e 1 trilião de dólares por ano. Usando a quantia de $1 trilião, isso significa que as forças armadas do mundo têm um gasto astronómico de 2 milhões de dólares por minuto! Um plano para suprir água potável por dez anos para os pobres nas regiões em desenvolvimento ficaria em 30 biliões, ou seja, a quantia que as forças armadas gastam em apenas 10 dias. Dezoito dias de gastos das forças armadas por ano poderiam erradicar a subnutrição no mundo inteiro. Peritos acreditam que 200 milhões de dólares, ou seja, o que as forças armadas gastam em três horas, poderiam exterminar doenças como a difteria, a tosse convulsa, o tétano, o sarampo e a poliomielite, que juntas matam 4 milhões de crianças por ano.

Fonte1 / Fonte2

Publicado por vmar em maio 31, 2004 06:45 PM
Comentários

Mas caro Victor os famintos quer sejam adultos ou crianças, não são o garante do consumo dos arsenais de guerra produzidos em larga escala pelas Nações poderosas. Daí que essas mesmas Nações promovem a guerra até mesmo em países onde se morre em larga escala à fome, para tentar minorar o sofrimento dos que a têm, pois em vez de perecerem de subnutrição, acabam por cair vitimas de uma rajada de metralhadora, por rebentamento de uma granada ou qualquer outro engenho militar.

Afixado por: congeminações em maio 31, 2004 07:38 PM

Tudo isto é sina, tudo isto é fado.
(que me perdoe a Valéria)
Enquanto as congeminações (que me perdoe o Raul)
não nos encaminharem, para uma vivência sem complexos de esquerda, tudo ficará eternamente podre.
A sociedade capitalista, está cada dia mais decadente, vão acabar por se comerem uns aos outros.
Se alguém sobreviver, poderá ter o discernimento, de desbravar socialmente, a vivência do ser humano.
Aguardemos o dilúvio…

Afixado por: jgonçalves em maio 31, 2004 10:37 PM